27 outubro, 2012

A Nova Inquilina - Gih Figueiredo [Conto de Halloween]


 Nada seria capaz de acamá-la. Seu corpo tremia de maneira incontrolável, ainda que sua mente estivesse voltada para fazê-lo parar e, ao mesmo tempo, livrar-se da lembrança dos minutos anteriores.
 Nunca passara por um estado de pavor, pânico e medo tão intenso. A sensação era horrível e tudo o que conseguia era pensar em como desejava que aquilo parasse, independente dos meios para levá-la a isso. 
 Queria que aquelas emoções causassem algum dano físico súbito que fizesse sua consciência sumir ou seu coração deixar de bater; mas seu o sangue o fazia pulsar de forma mais rápida e forte, dando a impressão de que nunca estivera tão mediocremente viva. Chegava a sentir o líquido passar por suas artérias, frio; e ouvir cada batida que vinha do lado esquerdo do seu peito refletir em todo o seu corpo, espalhando o sangue que bombeava. 
 Contudo, isso tinha sua vantagem. Percebeu que os sons emitidos por seu próprio organismo em pânico impedia que escutasse o que vinha do lado de fora do quarto, mas quando pensou nisso percebeu que realmente não havia barulho externo algum, e pela primeira vez naqueles quinze minutos de terror conseguiu tranquilizar-se. 
 Ao olhar mentalmente para si mesma, notou a que estado lastimável chegara. Encontrava-se no canto extremo, à direita de seu quarto, encolhida, e suas pernas já doíam de tanto que seus braços as apertaram. Seus cabelos grudavam-lhe o rosto, cujo suor só agora começava a se desfazer ao toque do ar, junto do sangue que escorria do lábio inferior de sua boca, que havia sido gravemente cortado por seus próprios dentes.
 Machucara seu próprio corpo para tentar livrar-se do medo, e de nada havia adiantado. Entretanto, antes que pensasse ser necessário acabar com a própria vida tudo havia cessado, assim, de repente.  Mesmo com as dores, seus lábios se abriram e revelaram um sorriso aliviado, embora a visão deles sujos de sangue não fosse de se apreciar.
 Levantou-se apoiando na parede e encarou o quarto por um momento. Parecia tão normal como estivera nos poucos dias em que se encontrava ali, a luz do poste em frente à janela refletindo por todo o cômodo, dando um toque iluminado onde a cor branca predominava. Começou a caminhar lentamente, ainda se lembrava do que acontecera anteriormente, porém seu corpo doía tanto que de todo jeito não seria possível se mover de outra maneira. Aproximou-se da cama e se sentou.
 Apesar de estar agora tranquila não deixava de pensar no que ocorrera. Quando tudo teve início imaginou se tratar de um assalto, os barulhos eram os de uma pessoa revirando a casa, todavia um assaltante não tinha aquela aparência, ou melhor, aquela transparência. "Seria um fantasma?", pensava ela. "Não! Não é possível! Essas coisas não existem!" dizia para si mesma. "Devo estar louca, um surto psicótico quem sabe? Isso sim é algo comum de acontecer.", qualquer teoria naquele momento era válida.
 A ignorância toma conta das pessoas quando se trata de algo que quebre a crença que durou toda uma vida. É totalmente compreensível que ela estivesse com tais pensamentos, mas ela não estava sozinha ali, e sua mente gritava naqueles impasses, para qualquer ser não natural que quisesse ouvir.  Mal sabia a dona daquele apartamento que o que ela pensava ter chegado ao fim mal havia começado. Um espírito quando quer atormentar vai até o fim, e o Halloween se aproximava. Parar? Ele não iria nunca. A diversão estava apenas começando.
 Enquanto a moça pedia respostas para sua mente um estralo veio da direção da sala. Ela virou-se subitamente, tremeu. Começou então a repetir mentalmente que não havia ouvido aquilo, incessantemente; de nada adiantou. Uma sombra surgiu de frente à fresta da parte de baixo da porta, em seguida a maçaneta girou, vagarosamente. Nesse momento o coração da mulher disparou, e todas as sensações de outrora retornaram. 
 O que iria fazer? Não fazia ideia. Nem ao menos sabia quem ou o que era aquilo que vinha a seu encontro! Na verdade não queria admitir o que era óbvio, mas não havia tempo, ele já tinha se esgotado. A porta foi impulsionada levemente e o rangido soou tão cortante que seus ouvidos sangraram devido à dor.
 Embora ninguém ouvisse o grito agudo e demorado da moradora daquele apartamento, naquele mesmo instante, todos os vizinhos que dormiam acordaram subitamente, e quem ouviu falar a respeito daquele tão estranho fenômeno não desconfia de seu real motivo. Sabe-se apenas que depois a mais nova inquilina do prédio desapareceu misteriosamente, sem deixar rastros ou explicações. Ela apenas sumiu, como fumaça que se esvaece no ar, sem deixar pista alguma, como se simplesmente tivesse deixado de existir.





Tenham um bom Halloween!

Booh! *o*

kkkk
Falta pouco!
Preparados para as noites de horror? rsrs.
Abraços...
:)

10 comentários:

  1. que du mal moxinha *--*
    vai ir pra balade de halloween é? ta tão anxioxa u.u

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  2. gente que du mal sahusahushuhu deu medo o-o

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    1. kkkkk Que bom Alice, era essa a intenção! Ficou meio fraquinho, mas ficou legal né rsrs

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  3. Adorei o conto. Deveria publicar contos seus mais vezes.

    Beijos

    O mundo sob o meu olhar

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    1. Que bom que gostou Marcos! Só falta um pouco de tempo, mas vou tentar sim :D

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  4. oi,

    adorei o conto!
    parabens
    http://www.lostgirlygirl.com

    bjos

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